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12/15/17

Cristalizações

Cristalizações

"Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.

De cócoras, em linha, os calceteiros,

Com lentidão, terrosos e grosseiros,

Calçam de lado a lado a longa rua.


Como as elevações secaram do relento,
E o descoberto sol abafa e cria!
A frialdade exige o movimento;
E as poças de água, como em chão vidrento,
Reflectem a molhada casaria.


Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita,
Disseminadas, gritam as peixeiras;
Luzem, aquecem na manhã bonita,
Uns barracões de gente pobrezita
E uns quintalórios velhos com parreiras.


Não se ouvem aves; nem o choro duma nora!
Tomam por outra parte os viandantes;
E o ferro e a pedra — que união sonora! — 
Retinem alto pelo espaço fora,
Com choques rijos, ásperos, cantantes.


Bom tempo. E os rapagões, morosos, duros, baços,
Cuja coluna nunca se endireita,

Partem penedos; cruzam-se estilhaços.

Pesam enormemente os grossos maços,

Com que outros batem a calçada feita.

A sua barba agreste! A lã dos seus barretes!
Que espessos forros! Numa das regueiras

Acamam-se as japonas, os coletes;

E eles descalçam com os picaretes,

Que ferem lume sobre pederneiras.


E nesse rude mês, que não consente as flores,
Fundeiam, como esquadra em fria paz,
As árvores despidas. Sóbrias cores!
Mastros, enxárcias, vergas! Valadores
Atiram terra com as largas pás.


Eu julgo-me no Norte, ao frio — o grande agente! —
Carros de mão, que chiam carregados,
Conduzem saibro, vagarosamente;
Vê-se a cidade, mercantil, contente:
Madeiras, águas, multidões, telhados!

Negrejam os quintais, enxuga a alvenaria;
Em arco, sem as nuvens flutuantes,
O céu renova a tinta corredia;
E os charcos brilham tanto, que eu diria
Ter ante mim lagoas de brilhantes!


E engelhem, muito embora, os fracos, os tolhidos,
Eu tudo encontro alegremente exacto.
Lavo, refresco, limpo os meus sentidos.
E tangem-me, excitados, sacudidos,
O tacto, a vista, o ouvido, o gosto, o olfacto!

 
Pede-me o corpo inteiro esforços na friagem
De tão lavada e igual temperatura!
Os ares, o caminho, a luz reagem;
Cheira-me a fogo, a sílex, a ferragem;
Sabe-me a campo, a lenha, a agricultura.


Mal encarado e negro, um pára enquanto eu passo;
Dois assobiam, altas as marretas

Possantes, grossas, temperadas de aço;

E um gordo, o mestre, com um ar ralaço

E manso, tira o nível das valetas.


Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!
Que vida tão custosa! Que diabo!

E os cavadores pousam as enxadas,

E cospem nas calosas mãos gretadas,

Para que não lhes escorregue o cabo.


Povo! No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes, agonizas;
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!


De escuro, bruscamente, ao cimo da barroca,
Surge um perfil direito que se aguça;
E ar matinal de quem saiu da toca,
Uma figura fina, desemboca,
Toda abafada num casaco à russa.


Donde ela vem! A actriz que tanto cumprimento
E a quem, à noite na plateia, atraio
Os olhos lisos como polimento!
Com seu rostinho estreito, friorento,
Caminha agora para o seu ensaio.


E aos outros eu admiro os dorsos, os costados
Como lajões. Os bons trabalhadores!
Os filhos das lezírias, dos montados:
Os das planícies, altos, aprumados;
Os das montanhas, baixos, trepadores!


Mas fina de feições, o queixo hostil, distinto,
Furtiva a tiritar em suas peles,
Espanta-me a actrizita que hoje pinto,
Neste Dezembro enérgico, sucinto,
E nestes sítios suburbanos, reles!


Como animais comuns, que uma picada esquente,
Eles, bovinos, másculos, ossudos,
Encaram-na sanguínea, brutamente:
E ela vacila, hesita, impaciente
Sobre as botinhas de tacões agudos.


Porém, desempenhando o seu papel na peça, 
Sem que inda o público a passagem abra,
O demonico arrisca-se, atravessa
Covas, entulhos, lamaçais, depressa,
Com seus pezinhos rápidos, de cabra!"

In O livro de Cesário Verde



Cesário Verde
© Wiki Educação


Os Ourives do Chão na poesia do século XIX- Cristalizações de Cesário Verde

Em pleno século XIX, Lisboa estava a viver um período intenso de urbanização e um dos pontos fortes foi o calcetamento das principais ruas e avenidas da cidade para que a cidade tivesse ao nível do seu nome- Lisboa, Capital de um Império.

Artistas e escritores que viveram nesta época presenciaram e transmitiram-nos a imagem de uma cidade totalmente em expansão. Estas pessoas registaram o trabalho daqueles que embelezavam as ruas , avenidas e praças com tapetes de pedra e tornavam Lisboa cada vez mais cosmopolita e agradável de se viver- os Calceteiros.

Neste poema, Cesário Verde foi uma testemunha privilegiada destes Ourives do Chão, tão importantes para a evolução da cidade. Cesário Verde dá-nos uma visão muito realista do trabalho dos calceteiros pois ele deambula e passeia entre eles e vai descrevendo todas as ações e sensações que os trabalhadores transmitem enquanto pavimentam as ruas.

Vemos em vários excertos do poema (excertos a negrito) a descrição e análises de Cesário Verde perante as condições de vida e de trabalho dos calceteiros desta época, trazendo até nós os testemunhos de quem viveu e conviveu com os ourives do chão.

Na quinta estrofe, Cesário Verde faz uma fantástica referência às três fases do assentamento. Primeira fase, existem os cortadores, aqueles que cortam a pedra e formam-na para a colocação no tapete do chão “Partem penedos; cruzam-se estilhaços”, de seguida surgem os calceteiros, aqueles “rapagões, morosos, duros, baços” devido ao esforço despendido e a posição que os calceteiros têm ao assentar todas as pedrinhas, fazem com que “Cuja coluna nunca se endireite”. Por último os batedores, que fixam as pedras corretamente colocadas no chão com os tradicionais maços “Pesam enormemente os grossos maços/ Com que outros batem a calçada feita.”

Contudo, existe uma técnica de acabamento da pedra calcetada mais recente e mais moderno. Técnica esta que só é usada em calçadas interiores, falamos do polimento, que torna a pedra mais brilhante e com um embelezamento especial.
 
Goldsmith of the floor in the nineteenth century poetry- Crystallizations by Cesário Verde

In the middle of the 19th century, Lisbon was experiencing an intense period of urbanization and one of the strengths were the pavement of the main streets and avenues of the city so that the city had its name - Lisbon, Capital of an Empire.

Artists and writers who lived in this time witnessed and transmitted to us the image of a city that is in full expansion. These people recorded the work of those who embellished the streets, avenues and squares with stone rugs and made Lisbon more and more cosmopolitan and pleasant to live in - the Portuguese Pavement Craftsmen.

In this poem, Cesário Verde was a privileged witness of these goldsmiths of the floor, so important for the city evolution. Cesário Verde gives us a very realistic view of the work of the portuguese pavement craftsmen because he wanders and walks among them and he goes on to describe all the actions and sensations that the workers transmit while they are paving the streets.

We see in several excerpts of the poem (excerpts in bold) the description and the analysis of Cesário Verde towards the life and work conditions of the pavement craftsmen of this time, bringing to us the evidences of those who lived with the goldsmiths of the floor.


In the fifth verse, Cesário Verde makes a fantastic reference to the three phases of the settlement. First phase, there are the cutters, those who cut the stone and form it for the placement on the floor “Partem penedos; cruzam-se estilhaços”, then the Portuguese Pavement Craftsmen appear, those “rapagões, morosos, duros, baços” due to the effort expended and the position that the workers have when setting all the pebbles, cause that “Cuja coluna nunca se endireite”. Finally the batters, who fix the stones correctly placed on the floor with the traditional mallets “Pesam enormemente os grossos maços/ Com que outros batem a calçada feita.”

However, there is a newer and more modern finishing technique for the cobble stone. This technique is only used on interior sidewalks, we speak of polishing, which makes the stone brighter and with a special embellishment.






1ª Fase - Cortador
© Roc2c



   
  
2ª Fase - Calceteiros
© Roc2c


3ª Fase - Batedores
© Roc2c

12/13/17

Torre dos Clérigos, Porto / Clérigos Tower, Oporto

   A Torre mais alta do país e um dos ícones da cidade do Porto. A Torre dos Clérigos é o coração da Baixa Portuense e foi a partir da sua construção, no século XVIII pelo arquiteto Nicolau Nasoni, que nasceu a configuração da cidade.


   Quem visita o Porto tem a obrigação e o dever de visitar este conjunto arquitetónico. Sim, o Conjunto Arquitetónico Clérigos não é só a Torre mas sim a imponente Torre, o recente Museu e a majestosa Igreja. Vamos então relatar-vos um pouco da História deste três ex-libris portuenses.
   The highest tower in the country and one of the icons of Oporto city. The Clérigos Tower is the heart of the Portuense downtown and it was built from the 18th century by the architect Nicolau Nasoni, from here was born the configuration of the city.

   Those who visit Oporto have the obligation and the duty to visit this architectural complex. Yes, the Clérigos Architectural Ensemble is not only the Tower but the imposing Tower, the recent Museum and the majestic Church. Now we are going to tell you a bit about the history of these three ex-libris of Oporto city.






Torre dos Clérigos, Porto
© Roc2c


  A imponente Torre dos Clérigos tem exatamente 225 degraus e 75 metros de altura. A sua subida é difícil, no entanto, depois de passar pelos 6 andares tudo vale a pena, falamos da magnífica vista 360 graus sobre a cidade do Porto e sobre o Rio Douro.

   A torre, como já referimos acima, foi construída entre 1754 a 1763 por Nicolau Nasoni, um arquiteto apaixonado pela cidade e deu à torre características barrocas espetaculares e fascinantes.
   The majestic Clérigos Tower is exactly 225 steps and 75 meters high. Its climb is difficult, however, after going through the 6 floors everything is worth it, we speak of the magnificent 360º view over the city of Porto and the Douro River.

  The tower, as we mentioned above, was built between 1754 and 1763 by Nicolau Nasoni, an architect in love with the city and he gave to the tower spectacular and fascinating baroque features.




Torre dos Clérigos em detalhe, Porto
© Roc2c


   Alguns anos antes, em Abril de 1732, com a doação de um terreno à Irmandade dos Clérigos houve a possibilidade desta Irmandade construir a sua Igreja. A própria Casa da Irmandade (1754-1758) com todos os seus bens culturais desde esculturas, pinturas, mobiliário e ourivesaria dá ao visitante do Museu, aberto ao público em 2014, um regresso ao passado e a possibilidade de visitar espaços que outrora foram privados.

   No seu exterior e em toda a sua zona envolvente destaca-se o calcetamento em paralelos de granito tão típicos da zona norte do país.
   A few years earlier, in April 1732, with the land donation to the Clérigos Brotherhood, it was possible for this Brotherhood to build its Church. The House of the Brotherhood (1754-1758) with all its cultural goods such as sculptures, paintings, furniture and jewelry give the visitor to the Museum, open to the public in 2014, a return to the past and the possibility of visiting spaces that were private before.
 
   On the outside and in all its surrounding area, it stands out the pavement in granite parallels so typical of the north zone of the country.


Torre dos Clérigos, calcetamento em paralelos de granito
© Roc2c

12/11/17

Praça da Figueira, Lisboa / Figueira Plaza, Lisbon

   Histórica, carismática, emblemática e muito concorrida. É assim que descrevemos esta praça. Não é uma praça com Calçada Portuguesa mas é uma praça que merece destaque da nossa parte.

   A Praça da Figueira foi, é e será um ponto de encontro de lisboetas e de pessoas de todas as raças e credos. Aqui, viajantes e turistas de mochilas às costas, habitantes e visitantes misturam-se com engraxadores de sapatos e vendedores de lotaria, assim como pastelarias requintadas, Pastelaria Suíça e Confeitaria Nacional, “combinam” com mercearias e peixarias de bairro.


   Historical, charismatic, emblematic and very busy. This is how we describe this plaza. It is not a square with Portuguese Pavement but it is a square that deserves our attention.

    Figueira Plaza was, is and will be a meeting place for people from all races and creeds. Here, travelers and tourists with backpacks, locals and visitors mix with shoemakers and lottery sellers, as well as exquisite pastries, Pastelaria Suiça and Confeitaria Nacional, "combine" with grocery stores and local fishmongers.




Praça da Figueira, Lisboa
© Roc2c

Placa "PRAÇA DA FIGUEIRA"
© Roc2c



   Porém, nesta praça tudo faz sentido. Falamos dos hotéis, das elegantes pastelarias, das tradicionais lojas e cafés, dos edifícios clássicos e até das centenas de pombos que se aninham no pedestal da estátua de D. João I.  Tudo isto caracteriza e define este local.            

   A Praça da Figueira está situada no centro de Lisboa, na Baixa Pombalina entre o Martim Moniz e a Praça do Rossio e está cheia de História. No século XV, o hospital “Hospital de Todos os Santos”, foi aqui construído, contudo foi destruído pelo enorme Terramoto de 1755. A reconstrução e a remodelação da Praça da Figueira foi obra de Marquês de Pombal, no ano de 1885 e construiu-se aqui um grande mercado coberto, porém, foi demolido por volta de 1950.
   However in this square everything makes sense. We speak of hotels, elegant pastries, traditional shops and cafes, classic buildings and even the hundreds of pigeons that nestle on the pedestal of King João I statue. All this characterizes and defines this place.
   
   Figueira Square is located in the center of Lisbon, in Baixa Pombalina between Martim Moniz and Rossio Square and is full of history. In the fifteenth century, the hospital "Hospital de Todos os Santos" was built here, but it was destroyed by the enormous earthquake of 1755. The reconstruction and remodeling of Figueira Plaza was the work of Marquis of Pombal in the year 1885 and a large covered market was built here, however, it was demolished around 1950.



Praça da Figueira, Lisboa
© Roc2c


   A Praça tem uma planta quadrangular, rodeada por edifícios clássicos que, nos dias de hoje albergam hotéis, lojas e restaurantes com excelentes esplanadas onde se pode beber a tradicional “bica” e é um agradável local para admirar o castelo de São Jorge e toda animação e festividades da Baixa Lisboeta. Ao seu centro encontramos a estátua equestre de D. João I, obra de Leopoldo de Almeida em 1971.
   This Plaza has a square plan, surrounded by classic buildings that today host hotels, shops and restaurants with excellent terraces where you can drink the traditional "bica" and it is a pleasant place to admire the castle of São Jorge and all the animation and festivities of Lisbon downtown. At its center we find the equestrian statue of D. João I, work of Leopoldo de Almeida in 1971.




Praça da Figueira, Estátua Equestre de D. João I
© Roc2c


12/8/17

Praça Luís de Camões / Luís de Camões Square

   A Praça Luís de Camões ou também conhecida como Largo de Camões, é talvez um dos cartões-de-visita de Lisboa. Situada no tão falado e conhecido Bairro Alto, no Chiado, na freguesia da Misericórdia.

   Do alto do seu pedestal, Luís Vaz de Camões, autor da grandiosa obra, os Lusíadas, vigia esta bela e discreta praça. Mas esta Praça não tem nada de discreta e Camões tem muito que vigiar, pois esta serve como porta de acesso ao Bairro Alto (principal centro de animação noturna da cidade de Lisboa) e é o ponto de encontro de multidões, todos os dias e principalmente todas as noites.

   De realçar também são os edifícios com cafés, quiosques e lojas à sua volta e sempre vimos nascer aí negócios que procuram manter vivas as nossas tradições sem esquecer o tempo em que vivemos. Aqui está também a entrada para o Bairro Alto Hotel cujo último andar proporciona uma excelente vista da cidade principalmente ao pôr-do-sol.

   Por tudo isto, é normal ver muita animação de gentes, muitos sentados aos pés de Camões a conviver ou a contemplar esta parte da cidade.
   Luís de Camões Square or also known as Largo de Camões, is perhaps one of Lisbon's business cards. It taked place in the well-known Bairro Alto, in Chiado, in the Misericórdia parish.

   From the top of his pedestal, Luis Vaz de Camões, author of the great work, the Lusíadas, watches this beautiful and discreet square. But this square has nothing to discredit and Camões has much to watch, because this square serves as a gateway to Bairro Alto (main nightlife center of Lisbon city) and it is the meeting point of crowds, every day and mainly every night.

   It is also noteworthy the buildings with cafes, kiosks and shops around it and we have always seen here businesses to born that keep our traditions alive without forgetting the time we live in. Here is also the entrance to the Bairro Alto Hotel whose top floor provides a great view of the city especially at sunset.

   For all this, it is normal to see much people animation, many people sitting at the Camões feet to live or contemplate this part of the city.




Praça Luís de Camões
© Roc2c

Detalhe do Pelourinho da Praça Luís de Camões
© Roc2c

"A
LUIZ DE CAMÕES"



A Calçada

   Debaixo dos milhões de pés que por aqui passam está uma Calçada Portuguesa feita por excelentes Mestres Calceteiros nos finais do século XIX. Sereias, naus, caravelas alusivas aos Descobrimentos são pisadas por pessoas que não vêm o que pisam mas também por pessoas com olhares atentos. Neste grande largo está assente um bonito empedrado, a preto e branco com simetria de reflexão, repetindo-se ao longo de todo o chão. Este pavimento faz as delícias de todos os amantes da típica Calçada Portuguesa.
The Pavement

   Under the millions of feet that pass here is a Portuguese Pavement made by excellent Master Portuguese Pavement Craftsmen in the late nineteenth century. Mermaids, ships, caravels allusive to the Discoveries are trodden by people who do not see what they walk on, but also by people with watchful eyes. On this large square is a beautiful stone pavement, black and white with symmetry of reflection, repeating itself along the whole ground. This pavement makes the delights of all typical Portuguese Pavement lovers.




Praça Luís de Camões, detalhes da Calçada Portuguesa
© Roc2c

Praça Luís de Camões
© Roc2c

Caravela em Calçada Portuguesa, Praça Luís de Camões
© Roc2c



A História

   Vítor Bastos foi o autor/escultor do monumento que foi construído entre 1860 e 1867. A escultura é constituída pela figura de Luís de Camões, de bronze e com 6 metros de altura e abaixo dele estão estátuas de grandes personalidades da literatura Portuguesa. Assim podemos ver as estátuas de Fernão Lopes, Pedro Nunes, João de Barros, Azurara, Sá Menezes entre outras. Segundo se sabe, a referida estátua foi inaugurada no dia nove de Outubro do ano de 1867. Esta estátua tem sido, ao longo dos tempos, muito criticada. Camões está de espada em punho e com ar muito altivo, em que nada tem a ver com a personalidade romântica do poeta mas nenhuma crítica lhe consegue tirar a imponência.
The History


   Vítor Bastos was the author/sculptor of the monument that was built between 1860 and 1867. The sculpture is made up of Luís de Camões figure, in bronze and 6 meters high and below it statues of great personalities of Portuguese literature. Thus we can see the statues of Fernão Lopes, Pedro Nunes, João de Barros, Azurara, Sá Menezes and others. It is known, this statue was inaugurated on October 9, 1867. This statue has been criticized over the years. Camões has a sword in his fist and he is very haughty, in which nothing has to do with the romantic personality of the poet but no criticism can take away the grandiosity.



Praça Luís de Camões, Lisboa (c. 1859)
© Lisboa de Antigamente

Praça Luís de Camões, Lisboa (início séc. XX)
© Lisboa de Antigamente

12/6/17

Praça do Município, Lisboa / Municipal Square, Lisbon

   A Praça do Município tem lugar na freguesia de Santa Maria Maior, na Rua do Arsenal, em plena Baixa Pombalina e com a Praça do Comércio a oeste. Aqui está o edifício dos Paços do Concelho com a sede da Câmara Municipal de Lisboa e no seu centro localiza-se o Pelourinho de Lisboa.

   Esta praça foi palco, no dia 5 de outubro de 1910, da proclamação da república perante milhares de pessoas. Ainda hoje, as comemorações da Implantação da República realizam-se aqui.

  A Calçada Portuguesa é um dos ex-libris da cidade de Lisboa. É uma forma de arte urbana que apaixona e surpreende turistas, habitantes locais e conhecedores desta matéria.

   Em plena Praça do Município e em frente à Câmara, as linhas geométricas encaixam com a forma ortogonal da praça e estão colocadas no chão em forma de raios. O atual pavimento desta praça é de 1997, e o desenho é da autoria do pintor Eduardo Nery. O artista quis criar um desenho geométrico para que parecesse um longo “tapete” com um padrão de triângulos e retângulos. Este padrão hipnotizante confunde-nos com as suas ilusões óticas, dificultando a vida ao nosso cérebro.
   The Municipal Square takes place in the parish of Santa Maria Maior, in Arsenal Street, in the middle of Baixa Pombalina with Comércio Square in the west. Here is the Town Hall building with the headquarters of the Lisbon City Hall and in its center is the Lisbon Pillory.

   This square was stage, on October 5, 1910, of the proclamation of the republic with thousands of people. Even today, the commemorations of the Implantation of the Republic take place here.

   The Portuguese Pavement is one of the ex-libris of Lisbon. It is an urban art that fascinates and surprises tourists, locals and connoisseurs of this subject.

   In the middle of the Municipal Square and in front of the City Hall, the geometric lines fit with the orthogonal shape of the square and they are placed on the ground in the form of rays. The current pavement of this square is from 1997, and the drawing was made by the painter Eduardo Nery. The artist wanted to create a geometric drawing that it looked like a long "rug" with a triangles and rectangles pattern. This hypnotizing pattern confuses us with its optical illusions, it makes a difficult life to our brain.




Praça do Município, Lisboa (ant. 1900)
© Lisboa de Antigamente


 O padrão aqui exposto tem o nome de Espinhado, sendo o Espinhado um dos vários tipos de assentamento decorativos na arte da calçada. Espinhado significa em espinha, é da família de espinha e provém do latim com o significado de espinheiro, roseira brava, espinha dorsal e coluna vertebral.                           · Eduardo Nery foi um artista plástico e pintor português, nasceu na Figueira da Foz em 1938. Nery destacou-se também na tapeçaria, na gravura, na pintura mural e no vitral, realizou dezenas de exposições no país e no estrangeiro, da Alemanha ao Egipto, no Brasil e EUA, ficará como um dos criadores plásticos portugueses mais destacados no âmbito dos projetos de arte pública. Eduardo Nery morreu a 2 de março de 2013 em Lisboa.
         
   «No projecto deste pavimento em calçada-mosaico, a preto e branco, procurei resolver algumas questões prévias, que coloquei a mim próprio. Em primeiro lugar, criar um desenho geométrico para que a praça fosse percebida como um “tapete” homogéneo, com um padrão de triângulos rectângulos e de quadrados, que se estendesse a todas as áreas a organizar plasticamente neste espaço urbano, conferindo-lhe a máxima unidade interna. 

 Uma segunda questão, que procurei resolver foi criar um centro muito bem definido, no reforço do pelourinho, que sempre esteve colocado no centro desta praça. Para tal, criei um desenho circular em rotação, que prolongou e expandiu o movimento espiralado, da coluna-torsa do pelourinho, também ela em rotação interna. Por sua vez, o meu desenho radial foi subdividido em triângulos semelhantes aos que criei para a área restante da praça, garantindo assim uma grande unidade interna no desenho global do pavimento. […]»
Citações de Eduardo Nery em polyedros.blogspot.pt

   This pattern is called Espinhado. Espinhado is one of several types of decorative settlement in the pavement art. Espinhado means spine, is of the spine family and it comes from Latin with the meaning of hawthorn, brave rose, backbone and spine.
       · Eduardo Nery was a Portuguese plastic artist and painter. He was born in Figueira da Foz in 1938. Nery also excelled in tapestry, engraving, mural painting and stained glass, he performed dozens of exhibitions at home and abroad, from Germany to Egypt, Brazil and USA,he will be one of the most important Portuguese plastic creators in the public art projects. Eduardo Nery died on March 2, 2013 in Lisbon.
           
   « In the design of this pavement in mosaic-pavement, in black and white, I tried to solve some previous questions, which I put to myself. Firstly, to create a geometric design that the square was perceived as a homogeneous "carpet", with a pattern of rectangles and squares triangles, that extended to all the areas to organize plastically in this urban space, conferring to it the maximum internal unit.



   A second question that I tried to solve was to create a very well defined center in the pillory reinforcement, which was always placed in the center of this square. To do this, I created a rotating circular design, which extended and expanded the spiral movement of the pillory column, it was also in internal rotation. In turn, my radial design was subdivided into triangles similar to those I created for the remaining area of the square, thus ensuring a great internal unity in the overall design of the pavement. […]»
Quotes of Eduardo Nery polyedros.blogspot.pt











Praça do Município, Lisboa
© Roc2c


   O padrão atual da Praça do Município está, de fato, uma magnífica obra de arte, contudo nem sempre foi assim. O calcetamento inicial em volta do Pelourinho foi assente nos finais do século XIX e também era lindo de se ver e tanto o Pelourinho como a sua calçada tinha a admiração dos entendidos.

   O Pelourinho de Lisboa, classificado como Monumento Nacional, foi colocado na Praça do Município alguns anos depois do terramoto de 1755 pelo arquiteto Eugénio dos Santos e Carvalho, porém a Praça do Município nem sempre teve esta designação. Na sua abertura teve o nome de Largo da Patriarcal seguido de Praça dos Leilões ou das Arrematações e em 1783 aparece a designação de Largo do Pelourinho que permaneceu até 1886 e só nesta data foi mudada para Praça do Município.

  Após um grande incêndio, a 19 de novembro de 1863, em que ficou completamente destruído, assiste-se à construção de um novo edifício entre 1865 e 1880. O projeto foi do arquiteto Domingos Parente da Silva e o remate da fachada é alterado, por decisão do Engenheiro Ressano Garcia. No seu interior, é de destacar a influência do Arquiteto José Luís Monteiro e dos pintores José Pereira Júnior, Columbano e Malhoa. 
A 7 de Novembro de 1996, um novo incêndio destruiu os pisos superiores, afetando as pinturas do 1º andar.
   The current pattern of Municipal Square is, in fact, a magnificent work of art, however It was not always like this. The initial pavement around the Pillory was settled at the end of the nineteenth century and it was also beautiful to see and the Pillory and its pavement had the admiration of the connoisseurs.

   The Lisbon Pillory, classified as a National Monument, was placed in the Municipal Square a few years after the 1755 earthquake by architect Eugénio dos Santos e Carvalho, but this square did not always have this designation. In its opening was the name of Patriarchal Square followed by Auctions Square and in 1783 appears the designation of Pillory Square that remained until 1886 and only on this date was changed to Municipal Square.

   After an enormous fire, on November 19, 1863, when it was completely destroyed, a new building was constructed between 1865 and 1880. The project was made by the architect Domingos Parente da Silva and the finish of the facade was changed, for decision of the Engineer Ressano Garcia. Inside it, the influence of the Architect José Luís Monteiro and the painters José Pereira Júnior, Columbano and Malhoa were noteworthy. On November 7, 1996, a new fire destroyed the upper floors, affecting the paintings on the first floor.




Pelourinho da Praça do Município, Lisboa
© Roc2c


12/4/17

Palavras com História / Words With History

           No episódio 18 do programa «Cuidado com a Língua»transmitido na RTP1 no dia 27 de Novembro de 2017, a Calçada Portuguesa foi a personagem principal. Neste episódio houve uma ligação muito forte entre a arte da calçada e a arte de falar português.





A Calçada Portuguesa na Praça do Município em Lisboa

            "A palavra espinhado que significa em espinha é da família de espinha. Provém do latim com o significado de espinheiro (planta), roseira brava, espinha dorsal, coluna vertebral. No plural já no latim spina significava vícios, defeitos, rodeios, subtilezas.
            Neste caso, o termo espinhado diz respeito a um dos vários estilos e temáticas decorativas que existem na arte da Calçada Portuguesa.


Praça do Município - Lisboa
© Roc2c

         O General Eusébio Pinheiro Furtado que foi governador do Castelo de São Jorge em Lisboa entre 1840 e 1846 foi quem decidiu pavimentar a fortaleza lisboeta com pedras de calcário branco cortadas a espaços por outras de basalto negro. Estas pedras foram colocadas por presidiários da altura, a quem chamavam grilhetas ou calcetas. Reza a história que a cidade em romaria subiu à sua colina fortificada para admirar o mosaico que os cativos tinham assentado. A Câmara de Lisboa gostou tanto do trabalho que replicou a ideia no Rossio em 1848, desta vez utilizando o calcário vidraço. Trata-se de outro tipo de calcário, branco e negro, num desenho inspirado nos Descobrimentos. Foi dado o nome de Mar Largo por representar as ondas do mar, cuja travessia levou os navegadores portugueses a ultrapassar o Cabo das Tormentas e a chegar ao Brasil. Durante os primeiros anos do século XX a calçada foi cobrindo Lisboa até ao Marquês de Pombal.


Rossio - Lisboa
© Roc2c

Palavras com História

         O calçadão na praia de Copacabana no Rio de Janeiro com a composição e o desenho da Calçada Portuguesa deu-se a conhecer ao mundo em 1942 com o filme “Saludos Amigos” de Walt Disney, quando o Zé Carioca e o Pato Donald dançaram a “Aguarela do Brasil” com Maria do Carmo Miranda da Cunha, uma portuguesa de Marco de Canaveses, conhecida para sempre como Carmem Miranda.

          Calçadão é o aumentativo do substantivo calçada precisamente pela sua extensão e grande largura no Brasil. O calçadão do Rio de Janeiro é a grande obra emblemática de Calçada Portuguesa.  Foi mandado fazer em 1906 e tem 4,15 quilómetros. Inicialmente as ondas nele representadas eram perpendiculares ao comprimento da calçada mas com a reforma da década de 70 ganharam o sentido atual, paralelo ao comprimento da calçada e às ondas do mar.
As pedras aí utilizadas foram importadas de Portugal, também de Portugal seguiu um grupo de calceteiros para proceder à aplicação da calçada. A palavra calceteiro designa o operário que aplica calçada em ruas. Formou-se do verbo calcetar que vem da palavra calceta, originária do latim.

            Calceta é da família das palavras calças e calçado. Originariamente os romanos não usavam nem meias nem calças e aprenderam com os germanos, que estavam habituados a um clima mais frio, a usar essas peças de vestuário. Designaram então as calças com a palavra usada para designar o calçado, o sapato mas no feminino.
Com o passar dos tempos as calças tornaram-se mais compridas até cobrir o corpo dos pés à cintura. No século XVI, as calças dividiram-se em duas partes, aquela que cobria a barriga e as coxas manteve o mesmo nome, calças ou calça e a que cobria as pernas e o pé passou a chamar-se meia calça e depois apenas meia com a elipse da palavra calça.

       A palavra calceta entrou no Português no final do século XVI, proveniente do espanhol. Designava uma argola de ferro fixada no tornozelo do prisioneiro e ligada à sua cintura por meio de uma corrente de ferro. Tal como as calças, a calceta ia da cintura ao tornozelo. Por extensão de sentido, a palavra calceta passou a designar o próprio prisioneiro e em Portugal, no século XIX começaram por ser os presos denominados de grilhetas ou calcetas que se ocupavam do calcetamento das ruas e assim se formou o verbo calcetar da palavra calceta.

          Um maço é um instrumento formado por um bloco de madeira dura, geralmente com a forma de um paralelepípedo encavado ao meio para usos semelhantes ao do martelo. Trata-se de um pilão usado pelos calceteiros para bater a pedra até ela ficar bem presa ao chão.

        Maço provém da palavra maça que também designa esse mesmo instrumento usado pelos calceteiros. Servia também para bater ou maçar o linho, designando ainda um pau bastante pesado, mais grosso numa das extremidades outrora usado como arma. Maçar significa não só bater com o maço ou maça como, em sentido figurado, enfadar com uma conversa longa, aborrecer, incomodar.


Maço e martelo
© Roc2c

            Calçar tanto quer dizer revestir os pés de sapatos ou as mãos de luvas, como no caso que aqui nos trouxe, significa pavimentar ruas ou passeios, ou seja, calcetar.
Calçada é o particípio passado substantivado do verbo calçar, com o significado de calcetar. Formou-se o substantivo calçada com o sentido que aqui vemos, o pavimento formado por pequenos elementos de pedra. Por sua vez, a palavra latina que significava calçada é da família de calcanhar e de calcar, no sentido de pisar com os pés.

            A palavra releixo é um regionalismo que designa o ato ou efeito de releixar que é exatamente o mesmo que relaxar. Relaxar significa tornar frouxo, diminuir a tensão. A pedra deixada com releixo na calçada quando está a ser feita, ainda não está bem presa. A palavra relaxar adquire também o significado de descontrair, condescender, enfraquecer ou afrouxar. Por isso o substantivo releixo também significa desleixo, desmazelo.

            A palavra pedra tem origem no latim com o mesmo significado. Da família de pedra é o nome Pedro. No Evangelho Segundo São Mateus, refere-se que Cristo terá dito a Pedro, seu Apóstolo, nomeando-o fundador da sua Igreja, «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

       Litologia é a descrição das características físicas das rochas como a cor, a estrutura, os componentes minerais e o tamanho do grão. Os elementos de formação da palavra são de origem grega e significam pedra e estudo. Também se denomina Petrografia com origem no latim."




In the eighteen episode of the program «Cuidado com a Língua» broadcast in RTP1 on November 27, 2017, the Portuguese Cobblestone was the main character. In this episode there was a very strong connection between the art of the pavement and the art of speaking Portuguese.

The Portuguese Cobblestone in the Town Hall Square in Lisbon

            The espinhado word that means espinha is from the spine family. It comes from Latin with the meaning of hawthorn (plant), wild rose, backbone, spine. In the plural already in Latin it meant vices, defects, detours, subtleties.
In this case, the term espinhado refers to one of several styles and decorative themes that exist in the art of the Portuguese Cobblestone.

           General Eusebio Pinheiro Furtado who was governor of São Jorge Castle in Lisbon between 1840 and 1846 was who decided to pave the Lisbon fortress with white limestone stones cut by spaces for others of black basalt. These stones were placed by prisoners of this time, who were called grilhetas or calcetas. The history tells us that the city in pilgrimage ascended its fortified hill to admire the mosaic that the captives had settled. The Lisbon Council liked the work so much that it replicated the idea in Rossio in 1848, this time using limestone glass. This is another type of limestone, black and white, in a design inspired by the Discoveries. It was named Wide Sea because it represented the waves of the sea, whose crossing led the Portuguese navigators to cross the Cape of Storms and arrived in Brazil. During the first years of the twentieth century the portuguese pavement was covering Lisbon until the Marquis of Pombal.


Castelo de São Jorge - Lisboa
© Castelo de S. Jorge


Words With History

            The pavement on Copacabana beach in Rio de Janeiro with the composition and design of the Portuguese Cobblestone was made known to the world in 1942 with the film "Saludos Amigos" by Walt Disney, when Zé Carioca and Donald Duck danced the "Aguarela do Brasil "with Maria do Carmo Miranda da Cunha, a Portuguese from Marco de Canaveses, known forever as Carmem Miranda.

            Calçadão is the augmentative of the noun calçada, precisely by its extension and great width in Brazil. The pavement of Rio de Janeiro is the great emblematic work of Portuguese Pavement. It was ordered in 1906 and it has 4.15 kilometers. In the begginning the waves represented in it were perpendicular to the length of the pavement but with the reform of the 1970s they gained the current meaning, parallel to the length of the pavement and the sea waves.
The stones used there were imported from Portugal, from Portugal also followed a group of Portuguese Pavement Craftsmen to proceed with the pavement application. The word calceteiro  means the worker who applies pavement in streets. It was formed from the verb calcetar that comes from the word calceta, originating from Latin.


Pavement on Copacabana Beach in Rio de Janeiro
© VOGUE
          
           Calceta is from the family of the words calças and calçado. Originally the Romans wore neither socks nor trousers and learned from the Germans, who were accustomed to a colder climate, to wear these clothes. Then they designated the pants with the word used to designate the footwear, the shoe but in the female. Over time, the trousers have become longer until they reach the waist. In the sixteenth century, the trousers were divided into two parts, the one that covered the belly and the thighs kept the same name, pants and the other that covered the legs and the foot was called pantyhose and then only hose with the ellipse of the word pants.

            The word calceta get in the Portuguese language in the late sixteenth century, coming from Spanish. It meant an iron ring attached to the ankle of the prisoner and attached to his waist by an iron chain. Like the trousers, hose ran from waist to ankle. By extension of meaning, the word calceta came to designate the prisoner and in Portugal, in the nineteenth century began as the prisoners called grilhetas or calcetas that were busy with the streets pavement and thus it was formed the verb calcetar of the word calceta.

            Maço is an instrument made up of a hardwood block, usually with a parallelepiped form bundled in half for uses similar of the hammer. This is a pylon used by Portuguese pavement craftsmen to hit the stone until it is securely attached to the ground.

          Maço comes from the word maça and it also means the same instrument used by the portuguese pavement craftsmen. It also served to beat or flay the flax, it is also a rather heavy, thicker stick at one side and it was once used as a weapon. Maçar means not only striking with the maço or maça, but figuratively, boring with long talk and annoying.

            Calçar means coating the feet of shoes or the hands of gloves, or in the case that brought us here,it means to pave streets or walks, that is, calcetar. Calçada is the past participle of the verb calçar, meaning of calcetar. The noun calçada was formed with the meaning we see here, the pavement formed by small stone elements. In turn, the Latin word that meant calçada is of the family of calcanhar and calcar, in the sense of treading with the feet.

            The word releixo is a regionalism that designates the act or effect of releixar that is exactly the same as relaxar. Relaxar means becoming loose, lessening tension. The stone left with releixo on the pavement when it is being made it is still not well secured. The word relaxar also acquires the meaning of relaxing, condescending, weakening or loosening. That is why the noun also means slovenliness, sloppiness.

            The word pedra comes from Latin with the same meaning. Of the pedra family is the name Pedro. In the Gospel According to St. Matthew, Christ has said to Pedro, his Apostle, naming him the founder of his Church, "You are Peter and on this rock I will build my Church.

         Lithology is the description of the physical characteristics of the rocks as the color, the structure, the mineral components and the size of the grain. The elements of formation of the word are of Greek origin and signify pedra and estudo. Also called Petrography with origin in Latin.